NOTA DA COMUNIDADE DO CDS SOBRE O PROJETO FUTURE-SE

02/09/2019 17:42

A comunidade do CDS (Centro de Desportos), estudantes, professores e servidores reuniram-se em uma mesa de debate no dia 28 de agosto para apreciar a proposta, do atual ministro da educação Abraham Weintraub, denominada de Future-se. Representantes do Grupo de Trabalho da UFSC, que analisa a tal proposta apresentaram ideias principais presentes no documento bem como elencaram pontos críticos levantados no estudo do grupo. O professor Áureo Mafra e um representante da APG (Associação de pós-graduação) foram os responsáveis pela explanação do assunto.

            Na realidade, trata-se de um programa de “adesão voluntária” em que só as Universidades que demonstrarem interesse em participar, estarão inclusas. Para tanto, é necessário que tomemos esta decisão. Isso tem gerado uma série de debates, mas o tempo é ínfimo para o necessário aprofundamento de respostas para uma solicitação deste porte. Assim, toda a comunidade universitária está diante de um impasse de difícil solução rápida. E, ainda mais grave, pela vinculação da proposta ao financiamento e gestão das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) a um programa em que se apoia numa suposta arrecadação do setor privado haja vista que não existe nenhuma garantia de captação desse recurso. Em outras palavras, é uma proposta de Reforma Universitária em que retira o Estado de sua função maior que é a de garantir educação pública e gratuita para todos.

É verdade que a educação pública e gratuita é um ideal liberal, bandeira de luta da Revolução Francesa, isso em 1789. Sim, ainda não efetivamos, na prática, esta conquista. A luta é, ainda, atual. Mas, agora vem uma novidade (bem velha) que é transferir a incumbência do Estado para a iniciativa privada, como solução para o contingenciamento de um orçamento aprovado pelo Congresso nacional e garantido na Constituição do Brasil de 1988. A proposta segue esta égide. Quem vai gerir a educação publica e todos os seus afazeres: pesquisa, ensino e extensão será uma Organização social (leia-se alguma empresa privada que será convidada para fazer a gestão acadêmica) em que se fundamentará, provavelmente, única e exclusivamente, na possibilidade do capital que poderá ser ‘investido’ para obter lucro. Pensem vocês se haverá algum capital investido que não supõe um lucro. Este detalhe está subentendido. Seguindo o raciocínio, o programa troca TODAS as instancias colegiadas, eleitas democraticamente, por ‘gestores’ contratados. Portanto, não existirá mais o CUn como conhecemos hoje e sim como órgão fiscalizador.   Os professores e professoras deverão se tornar professores empreendedores (ou seja, capitalistas que terão que ‘achar’ agentes financiadores de seu trabalho) haja vista que o Estado deixará de sustentar o trabalho de promoção humana. Trabalho este que fazemos ‘sem fins lucrativos’. Com o future-se é para ter lucro. Ainda nesse bojo observamos também que apresenta a entrega do patrimônio publico das Universidades para o capital privado, sem nenhuma contrapartida. A tríade ensino, pesquisa e extensão serão definidas por atividades que produzam lucro. As experiências inovadoras ficarão somente nas ideias.

Em nosso caso, as atividades aqui do CDS são impossíveis de se mensurar em termos econômicos. A maioria dessas atividades não tem PREÇO, são resultados totalmente imateriais, de puro avanço do caráter social. O poder do Estado que administra a riqueza, produzida por todos, tem obrigação (constitucional) de sustentar estas atividades. Não podemos virar produto, e um produto descartável.

A atuação do Centro de Desportos junto à comunidade universitária e do nosso entorno, é grande; são diversos projetos de extensão e pesquisa e, ao mesmo tempo, disponibilizamos espaços esportivos (ginásios, quadras, complexo aquático, campo e pista atlética) ao atender aproximadamente cerca de três mil pessoas. O nosso Curso de graduação em educação física, licenciatura e bacharelado (e pós-graduação) é destaque nacional, um dos melhores do país. Além de um quadro de professores altamente qualificados, com projetos de inserção nacional e internacional.

Por tudo isso o CDS da UFSC não está de acordo com uma proposta aligeirada da nossa missão maior que é a de ‘desenvolvimento humano’. E isso, com a preocupação de promover o máximo de acesso a tudo que estudamos e pesquisamos. Queremos continuar participando da história da UFSC sem ter, em nenhum momento vindouro, o arrependimento de termos nos isentados e não nos posicionados contra a destruição da educação pública. Enfim, não concordamos com o fim de uma estrutura que se move e move com vidas humanas, pois, não estamos tratando de coisas, mas do destino da juventude e do futuro da nossa nação.

GT/CDS/UFSC

Nota sobre o Future-se